Club do
Recife

Palestra “Folclore Nordestino” – com a companheira Leny Amorim.

Postado em: 08 de Setembro de 2025 por Rotary Club do Recife

Palestra “Folclore Nordestino” – com a companheira Leny Amorim.

Com imensa honra, o Rotary Club do Recife recebeu em sua reunião a companheira Leny Amorim, que proferiu a brilhante palestra Folclore Nordestino”

 “Folclore é a cultura do Popular, tornada normativa pela tradição.” – Luís Câmara Cascudo. 

 Folclore é puro. É a arte da nossa gente. É fruto da contribuição das nossas raízes: branco, indígena e afro. Envolve nossos folguedos. Seu maior berço é Pernambuco. A capitania que deu certo. É uma quarta dimensão que flui do meio ambiente da convivência popular. O conteúdo do folclore ultrapassa o 22 de agosto de 1846, quando Willian John Thoms (1803-1885), criou o vocábulo: FOLCLORE. São múltiplas as suas formas de expressão.

 

  1. Fato Folclórico: Toda maneira de pensar, agir e sentir, que expressam a vida do povo.
  2. Características: ACEITAÇÃO COLETIVA – o que dá julgar a variantes. Uma história, pode ser contada de várias formas; uma melodia, sofre alterações de letras. É contagiante.
  • Transmissão Oral – Os antigos, não possuíam dos nossos recursos. Era o boca a boca. Ex.: lendas, provérbios, adivinhas, brinquedos de roda, versos populares. O diz me diz.

 Por que o povo canta?

Para adormecer a criança, louvar a Deus, para festejar colheitas, enaltecer o natal, através das pastorinhas, folias de reis. Cantam para sobreviver, aliando as danças, como gestual próprio de cada região. Isto é folclore. A pluralidade dos nordestinos torna possível uma grande diversidade de expressão folclórica.

 Manifestações Folclóricas:

  1. Literatura oral – O modo de falar: oxente, visse, etc.
  2. Artesanato popular – Com os nossos grandes mestres- a FENEARTE é um exemplo. E os artistas que se revelam no Brasil inteiro, mostrando o milagre da arte em suas mãos. Imagens de santos, esculturas olarias (peças de barro). Alto do Mouro – maior centro de arte figurativa das Américas UNESCO.
  3. Folguedos populares – são danças, altos e brincadeiras infantis, motes, etc. Eles são sempre praticados nas grandes celebrações: carnaval, sábado de aleluia, Natal, festa dos Reis Magos São João. Os folguedos populares são infantis e adultas.
  4. Música Folclórica – é toda aquela que canta o sertão ou outra região, costumes e “causos” do povo. Vai da cantiga de ninar, cantiga de roda, aos grandes sucessos musicais de cada povo.
  5. Tradição – A força que garante a preservação do folclore. O modo vivo de transmitir os conhecimentos populares. A força que mantém os valores da cultura vivos.
  6. Funcionalidade – Tudo que o povo faz, tem força de uma razão e um destino próprio: preservação dos seus traços de vida, região e costumes.
  7. Xilogravura – No começo do século passado, apareceu uma literatura de cordel, contando a greve da Estrada de Ferro e as artimanhas de Antônio Silvino. Destacamos: José Martins dos Santos, de Alagoas, autor das Capas e dos Poemas: As leseiras de João Leso, O defunto que falou no dia de finados. Todos editados em Maceió.

Expressões do Folclore Nordestino:

Frevo – “Pulando na frente das bandas de “musga”: antigo capoeirista do Recife estava, sem querer, criando as bases do “passo”, que é a dança que se dança com o frevo-música e dança coletiva, pois a dança individual é o passo” – Valdemar de Oliveira.

É uma dança livre. Cada um procura se expressar, seguindo o ritmo explosivo do frevo, com presença pesada de metias.

Blocos – No meio da loucura do frevo rasgado (frevo de rua) surge a nostalgia e romantismo do frevo de bloco, oferece oportunidade às moças e senhoras da classe média (à época) a participarem, formando-os e acrescentando a presença do coral, exemplo: Edgar Moraes. Assim, mencionamos alguns: Batutas da Boa Vista (1920), Madeira do Rosarinho, Banhistas do Pina, Bloco da Saudades, Batuta de São José, entre outros.

Ursos – Katarina Real

“Viemos da Itália

Não trouxemos roupa

Trouxemos este urso

Enrolado na estopa”

Urso que dinheiro, quem não der, é pirangueiro”.

O urso do carnaval, são dois homens: um urso e o domador. É um velho macacão coberto de estopa, agave, ou tira multicores. Sua origem é europeia, há mais de 10 mil anos antes de Cristo, segundo Katarina Real.

Papangus – Tradição secular no Agreste, seguindo em 1881.

Maracatus – “ O tarol anuncia levemente um esquema rítmico bem simples, rufado e intercalado de pausas. Quase no mesmo instante, o gonguê (agogô) assinala a sua rítmica característica: a seguir, dão estrada as caixas da guerra. Por essa altura, o tarol já passou do esquema inicial às variações. Daí, prosseguem as entradas dos zabumbas: o marcante destaca baques violentos e espaçados: O meião, pouco depois, segue o toque do marcante e , conjuntamente, ressoam os repiques, aumentando enormemente a intensidade do conjunto” – Guerra Peixe – Maracatu do Recife.

O tratamento entre eles é de Majestade – numa referência ao status de cada um (originariamente).

É uma expressão da cultura Negra que aqui chegou a partir de 1548.

A nação de Congos – foi a que mais se destacou, com a proteção do “senhor branco” e o beneplácito da Igreja Católica.

Destaques: Nação do Congo, Nação do Elefante, Nação da Estrela Brilhante, Leão Coroado, Cambinda, Estrela e Nação indiana.

Violeiros –  Uma das mais típicas figuras do folclore brasileiro é o contador da vida.

Cavalhada – Para Luiz da Câmara Cascudo, é um desfile e corrida de cavaleiros, jogo de argolinhas. Em Roma, fazia parte dos momentos cívicos e festividades sacras.

Ciranda – Lembrando as danças de roda, tão presentes na nossa infância. Dança solidária de mãos dadas vem brincar. É cantada pelo mestre ou mestra. Nasceu nas cidades de Aliança e Nazaré da  Mata, chegados à Olinda, plantando-se em Itamaracá. Quem pode esquecer... Lia de Itamaracá?

“Data de 1961 o aparecimento da Ciranda, em todas as festas folclóricas do Recife” – Padre Laime Diniz

Coco – Com o tirador de Cocos (cantor), que comanda o canto. Sua característica é uma batida de pé, também, pandeiro, ganzá e triângulo fazem o apoio musical. Exemplo: é verde a estrada do amor – Edite Amorim.

Mamulengo – “Homem da idade média, quando a igreja valeu-se do teatro de  marionetes, para educação religiosa” – Hermilo Borba Filho.

Animais – Os animais sempre fizeram parte do nosso folclore:

A Ema – Movimentada  por um menino debaixo de uma armação, que lembra o animal.

A Burrinha – Montada por um Vaqueiro.

O cavalo Marinho – “Cavalo Marinho chega para diante, faz uma mesura a essa toda gente. Cavalo  Marinho já pode chega, que a dona da casa mandou te chamar”

O Boi – Principal figura do folclore popular.

             “ Levanta-te boi vamos nos imbora que é de madrugada o rompê da aurora”

Provérbios:

  • Na terra de cego, quem tem um olho é rei.
  • Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no do vizinho.
  • Quem vê a barba do vizinho arder, bota a sua de molho.
  • Casa de ferreiro, espeto de pau.
  • Quem tem filho barbado é gato... entre outros.

Figuras Pitorescas do nosso folclore

Amolador de facas e tesouras – Empurrando uma roda de bicicleta e disco de esmeril.

Culinária – Pirão, carne de sol, vatapá, cuscuz, baião de dois, bolo de macaxeira, etc.

Catador de Caranguejos – Encontrado nos manguezais.

Tapioqueira -  Mulher que vende tapioca nas calçadas dos bairros, feito de goma de mandioca, numa frigideira com receio de coco ralado e outros. Exemplo: Vendedor de picolé, pirulito, cavaco, algodão doce, doce japonês, e o vendedor “vasculhadores”, colheres de pau, rapa coco e grelhas etc.

Em Itamaracá – A Associação dos “fuxiqueiros” aprendendo a técnica de Fuxico. Diário de Pernambuco – 25/07/2025 página 07.

 

HOMENAGEM ESPECIAL

Edson Moreira da Silva – Em tempo, não podemos terminar este trabalho, sem prestar uma homenagem ao professor historiador, pesquisador, homem de cultura e amigo. Fundador do “Quilombo Real!” em Maceió. Homem a quem o país deve muito de pesquisa e expressão cultural das nossas raízes, enfocando Zumbi dos Palmares.

Ao AMIGO Edson Moreira da Silva, que me chamou de “Dandara”, falecido em 02 de setembro 2025.

Nossas condolências à família e parabéns pelo legado cultural deixado por ele.

  

CONCLUSÃO

Folclore – a nossa riqueza, raízes, razão da nossa luta e orgulho de ser nordestino: nativo, ou de coração. Salve o folclore da nossa gente, da gente boa, do meu Brasil!

Obrigada.

 AGRADECIMENTOS

O Rotary Club do Recife manifesta seu sincero agradecimento à companheira Leny Amorim pela brilhante palestra com o tema Folclore Nordestino. Sua exposição não apenas enriqueceu nosso conhecimento, mas também valorizou a cultura da nossa região, despertando reflexões e admiração por nossas raízes.

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