Palestra “As Pandemias na História da Humanidade” – com o Infectologista Dr. Filipe Prohaska
O Rotary Club do Recife recebeu com grande entusiasmo o Infectologista Dr. Filipe Prohaska, que ministrou uma excelente palestra sobre as pandemias na humanidade.
Desde a Antiguidade, nos mais remotos documentos, a humanidade realiza uma batalha invisível contra os microorganismos. Apesar de serem apenas descobertos no crepúsculo do século XIX, trechos bíblicos já mostram esse confronto milenar.
Junto ao enfrentamento há também a evolução humana. Em meio às mortes há sempre a aurora de novos ventos da bonança após a tempestade. No Exodus bíblico há a descrição das pragas do Egito, podendo se relacionar a epidemia de febre tifoide na cidade. Em uma mistura explosiva de morte, fé, politeísmo e competição entre deuses, a expansão judaica ao Oriente e o fortalecimento do Monoteísmo e das guerras entre os povos no Crescente Fértil (presentes até hoje).
As guerras biológicas, também cruzam a história, bem antes dos ataques químicos aos curdos na Mesopotâmia recém batizada de Iraque. Os espartanos contaminavam o rio que cortava Atenas com as fezes e urinas de soldados doentes, matando um terço da população e enfraquecendo a nação nas mãos da Macedônia de Felipe. Sua incorporação da história e da tecnologia trouxe o grande império de Alexandre, unificando a Europa e a Índia e incorporando os números indo arábicos e seu conhecimento de engenharia.
Novas guerras biológicas surgiram com Gengis Khan catapultando mortos dentro de castelos, contaminando o solo como no Paraguai, jogando mortos na água nos impérios, disseminando sarampo e doenças respiratórias como nas grandes guerras.
Mas a falta de saneamento básico e filtração da água trouxe à tona as bactérias mais mortíferas da humanidade. A Peste Negra, oriunda da picada da pulga da ratazana, matou praticamente por três séculos, dizimando a Europa e trazendo a ascensão do Islamismo. As cruzadas se mostraram menos mortais do que essas doenças e dividiram o Velho e Novo Mundo sob a égide um Deus único, mas com valores e visões diferentes. Lados opostos de uma mesma moeda entre a Jihad e as fogueiras da Inquisição.
A Gripe Espanhola abre a era dos extremos do século XX, trazendo a humanidade para os confins contemporâneos. O renascimento humano, trazendo os anéis olímpicos e a Copa do Mundo de futebol no pós pandemia, mas ao mesmo tempo alimentando e ascendendo o pior do totalitarismo comunista, nazista e fascista. Novas guerras para um povo já tão atordoado, mas vivendo mais graças a revolução das vacinas e dos antimicrobianos.
E agora, século XXI, onde deveríamos estar conquistando o universo e vivendo a paz mundial, o século das pandemias! Em poucos anos tivemos três crises com o coronavírus (SARS, MERS e COVID19), gripe suína (H1N1), Gripe aviária (H7N9), Ebola, arboviroses, ainda enfrentando a AIDS no seu apogeu, Marburg... Situações sanitárias e urbanas precárias na Ásia, onde vive quase a metade da população mundial.
O vírus que vai acabar com a humanidade já existe, depende apenas de comer o bicho certo.
Após a apresentação, muitos membros do Rotary Club participaram ativamente, fazendo perguntas e demonstrando um grande interesse pelo tema abordado.
Agradecemos ao Dr. Filipe Prohaska pela presença e pela incrível palestra, que trouxe informações detalhadas e relevantes, enriquecendo nosso conhecimento e promovendo discussões importantes.
Postado em 17 de Setembro de 2024 por Rotary Club do Recife